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O Milagre de Gaudí

sábado, 13 junho 2026

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Descrever o que vivemos nestes dois dias em Barcelona é quase impossível. Basta contemplar o que, ao longo desta semana, acompanhamos na visita do Papa Leão a Madrid, Barcelona e Grã-Canária. Não pretendo que estas palavras sejam mais do que uma simples reflexão nascida do coração, porque apenas as palavras dele, neste momento, alcançam toda a profundidade que a ocasião exige.

Foram dias carregados de simbolismo: gestos, palavras, imagens, música e oração. Elevar o olhar foi uma verdadeira aventura para milhões de pessoas. Esse gesto de ir além de si mesmo está nos fazendo um bem enorme. Esta visita do Papa rejuvenesceu o nosso coração e fortaleceu aquilo que a passagem do tempo vinha desgastando, em todos os âmbitos: familiares, eclesiais, congregacionais, políticos, acadêmicos, trabalhistas, profissionais… E em todas as idades, desde os mais pequenos que tantas vezes vimos "voar" até Leão, até os mais velhos. Inclusive a dor compartilhada, a escuta e a atenção que dedicamos aos outros nos irmana e nos fortalece; fez-nos bem olhar para isso. Este sentir "com Ele, nEle e por Ele" está se tornando um autêntico oxigênio para a nossa vida eclesial.

A Eucaristia na Sagrada Família, junto com a bênção da torre de Jesus Cristo, foi uma experiência profundamente vivida e compartilhada. A majestade da basílica, elevando-se em direção ao céu de Barcelona, nos fez vibrar; não é à toa que Gaudí é chamado de "o arquiteto de Deus". Estar ali era quase um sonho: podíamos tocar o céu com os olhos da fé. Deus está aqui.

A harmonia das vozes preenchia o templo e criava o clima necessário para que as palavras do Papa não fossem apenas um eco vazio, mas que descessem ao coração. Cada um colheu sementes desta viagem papal, e agora somos chamados a acolhê-las, digeri-las e meditá-las com um olhar de fé, confiando em que darão fruto.

Assistimos, sem planejar, a uma "nova e belíssima primavera" na qual tudo volta a renascer. As colunas de Gaudí, como grandes árvores, sustentam a fé de uma Igreja que caminha no meio de um mundo convulso. As bem-aventuranças voltam a florescer: não como uma lembrança distante, mas como uma realidade viva. Bem-aventurados os pobres em espírito, os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que trabalham pela paz, os perseguidos por causa da justiça. Todos, absolutamente TODOS, têm lugar, como tantas vezes lembrou o Papa Francisco.

O Venerável Gaudí realizou uma obra sem pressa, intuindo a sua dimensão eterna. A sua arquitetura transcende o tempo, as culturas, os limites do entendimento. Ela nos congrega, nos acolhe e nos humaniza, nos transforma em pedras vivas do Evangelho. Impulsiona-nos a buscar e a gerar caminhos de justiça, de paz, de diálogo, e nos convida "a elevar o olhar" para a luz verdadeira, CRISTO, aquela que hoje luta para abrir caminho e está gestando o amanhã. Será este o Milagre de Gaudí?

https://www.youtube.com/watch?v=odBWmbca9sc&list=RDodBWmbca9sc&start_radio=1

“Primeiro o amor, depois a técnica”

— A. Gaudí

María José Condomina. HNSC

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