A Assembleia Geral da Consolação abre-se com um apelo a despertar a vocação consagrada numa dinâmica de cuidado e profecia.
Na terça-feira, 16 de junho, teve início a Assembleia Geral da Consolação com a celebração da Eucaristia do Espírito Santo, às 7h45. A celebração foi presidida pelo sacerdote claretiano Gonzalo Fernández, que convidou as participantes a viver este tempo de encontro, reflexão e discernimento numa profunda abertura à ação do Espírito.
Durante a homilia, recordou que a vida consagrada é chamada a ser profecia no meio do mundo, tornando visível a novidade do Evangelho na vida quotidiana. Neste contexto, destacou particularmente o apelo a viver e testemunhar o perdão aos inimigos, um sinal profundamente evangélico e contracultural que contribui para renovar a vida comunitária e a convivência humana. Sublinhou ainda que o perdão permite superar preconceitos e divisões, favorecendo relações mais fraternas e reafirmando a dignidade de cada pessoa como filha de Deus.
A jornada inaugural prosseguiu com uma reflexão orientada pelo próprio Gonzalo Fernández, sacerdote claretiano e profundo conhecedor da realidade atual da vida religiosa, sob o título «Despertar a nossa vocação consagrada numa dinâmica de cuidado e profecia». Partindo do convite de São Paulo a “despertar do sono” (cf. Rm 13, 11-12), propôs uma leitura esperançosa da realidade atual da vida consagrada, marcada por situações muito diversas consoante os contextos culturais e geográficos.
Ao longo da sua exposição, convidou as assembleístas a olhar a realidade a partir da fé e não da resignação. Para além das dificuldades que a vida religiosa atravessa em alguns lugares, sublinhou que o verdadeiro desafio consiste em permanecer centradas em Deus, superando distrações, medos ou comodismos que podem enfraquecer a vivência vocacional. Uma vida consagrada autêntica, enraizada no encontro com Cristo, continua a ser um sinal atrativo e significativo para o mundo.
Outro dos aspetos centrais da sua reflexão foi o apelo ao cuidado fraterno. Face à tendência para o individualismo, destacou a importância de fortalecer a comunhão através de relações marcadas pela atenção mútua, corresponsabilidade e proximidade. Recordou que a fraternidade não é apenas um dom recebido, mas também uma tarefa quotidiana que exige aprender a cuidar e a deixar-se cuidar, especialmente nas diferentes etapas da vida.
A dimensão profética da vida consagrada ocupou igualmente um lugar de destaque na sua intervenção. Inspirando-se nas palavras do Papa Francisco, encorajou as irmãs a serem mulheres capazes de ler os sinais dos tempos, interpretar a história à luz do olhar de Deus e responder com compaixão às necessidades dos mais vulneráveis. A profecia, afirmou, nasce de uma profunda experiência de Deus e expressa-se na capacidade de discernir, anunciar a Boa Nova e denunciar tudo aquilo que atenta contra a dignidade humana.

Por fim, apresentou as chamadas «sete viagens espirituais», que podem ajudar as comunidades religiosas a enfrentar com esperança os desafios atuais: passar da resignação para uma fé viva, do individualismo para o cuidado fraterno, de uma liderança centrada na autoridade para uma liderança sinodal, de espaços meramente funcionais para espaços vitais, de um tempo fragmentado para um tempo recriado, das obras próprias para a missão partilhada e de uma pastoral vocacional centrada nos números para uma cultura do encontro que acompanhe os jovens na procura da sua vocação.
Com esta primeira jornada, as participantes iniciaram oficialmente o caminho da Assembleia Geral, confiando ao Espírito Santo o trabalho dos próximos dias e renovando o seu compromisso de viver a vocação consagrada como sinal de fraternidade, esperança e profecia para o nosso tempo.
A Assembleia Geral da Consolação continuará nos próximos dias com momentos de oração, reflexão e discernimento, orientados para fortalecer a missão da Congregação nos diversos lugares onde está presente.